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18 de ago. de 2013

Assunção da Virgem Maria (C) - 4ª parte


Essa maravilha só é possível porque Maria não está cheia de si mesma, como os que confiam no seu dinheiro e seu status. Ela é serva, está a serviço - como costumam fazer os pobres - e por isso, sabe colaborar com as maravilhas de Deus. Sabe doar-se, entregar-se àquilo que é maior que sua própria pessoa. A grandeza do pobre é que ele se dispõe para ser servo do Senhor, superando todas as servidões humanas. Mas, para que seu serviço seja grande, tem que saber decidir a quem serve:

Deus, ou aos que se arrogam injustamente
o poder sobre seus semelhantes.

Consciente de sua opção, o pobre realizará coisas que os ricos, presos na sua auto-suficiência, não realizam:

A radical doação aos outros, a simplicidade, a generosidade sem cálculo, a solidariedade, a criação de um homem novo para um mundo novo, um mundo de Deus.

A vida de Maria, a "serva", assemelha-se à do "servo" Jesus, "exaltado" por Deus por causa de sua fidelidade até a morte (Filipenses 2, 5-11). O amor torna as pessoas semelhantes.

Também na glória, realiza-se em Maria, desde o fim de sua vida na terra, o que Paulo descreve na 2° leitura:

A entrada aos que pertencem a Cristo na vida gloriosa do Pai, uma vez que o Filho venceu a morte.

Congratulando Maria, congratulam-nos a nós mesmos, a Igreja. Ela é mãe de Cristo e mãe da fé, e Mãe da Igreja. Na "mulher vestida de sol" (1° leitura) confundem-se os traços de Maria e da Igreja. Sua glorificação são as primícias da glória de seus filhos na fé.

No momento histórico que vivemos, a contemplação da "serva gloriosa" pode trazer uma luz preciosa. Que seria a "humilde serva" no século XXI, século da publicidade e do sensacionalismo? Sua história é baseada no serviço humilde, e glória escondida em Deus

Não se assemelha a isso a Igreja dos pobres?

A exaltação de Maria é um sinal de esperança para os pobres. Sua história joga também uma luz sobre o papel da mulher, especialmente da mulher pobre e oprimida.

Maria é "Mãe da libertação".

Pe.João Azeredo

Assunção da Virgem Maria (C) - 3ª parte


MAGNIFICAT
A MÃE GLORIOSA E A GRANDEZA DOS POBRES


Em 1950, o Papa Pio XII definiu a Assunção de Maria como dogma, ou seja, como ponto referencial de sua fé. Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu "com corpo e alma". Ou seja, foi coroada plena e definitivamente com a glória que Deus e preparou para os seus santos. Assim como ela foi a primeira a servir Cristo na fé, ela é a primeira a participar na plenitude de sua glória. Maria foi acolhida completamente no céu porque ela acolheu o céu nela inseparavelmente.

O evangelho de hoje é o Magnificat de Maria, resumo da obra de Deus com ela e em torno dela. Humilde serva nem tinha sequer o status de mulher casada, e foi "exaltada" por Deus, para ser mãe do Salvador e participar de sua glória, pois o amor verdadeiro a une para sempre. Sua grandeza não vem do valor que a sociedade lhe confere, mas da maravilha que Deus opera nela. Um diálogo de Amor entre o Senhor e a moça de Nazaré.

Ao convite de Deus responde o "sim" de Maria, e à doação de Maria na maternidade e no seguimento de Jesus. Responde o grande "sim" de Deus, a glorificação de sua serva. Em Maria, Deus tem espaço para operar maravilhas. Em compensação, os que estão cheios de si mesmos não deixam Ele agir e, por isso, são despedidos de mãos vazias. O filho de Maria coloca na sombra os poderes deste mundo, pois enquanto estes oprimem, Ele salva de verdade.
Pe.João Azeredo

Assunção da Virgem Maria - 2ª parte

MADRE TEREZA DE CALCUTÁ

Na maravilha acontecida a Maria, a comunidade dos humildes vê claramente que Deus não abre o céu através das poderosas. Será grande quem confiou em Deus e se tornou seu servo (sua serva), e não quem quis ser grande por suas próprias forças, pisando em cima dos outros. Assim realiza-se tudo o que Deus deixou entrever desde o tempo dos patriarcas (as promessas).

Pois bem, a glorificação de Maria no Céu é a realização desta visão escatólogica, coroa nela a fé e a disponibilidade de quem se torna servo da justiça e bondade de Deus, impotente aos olhos do mundo, mas grande na obra que Ele realiza.

É a Igreja dos pobres de Deus,
que hoje (15 de Agosto) é coroada.

A "arte" litúrgica deverá, portanto, suscitar nos fiéis dois sentimentos dificilmente conjugáveis: O triunfo e a humildade. O único meio para unir estes dois momentos é colocar tudo nas mãos de Deus. Ou seja, esvaziar-se de toda glória pessoal, na fé de que Deus já começou a realizar a plenitude das promessas.

Em Maria vislumbramos a combinação ideal de glória e humildade: 

Ela deixou Deus ser grande na sua vida.
Esse é o jeito...


Pe.João Azeredo

Assunção da Virgem Maria (C) - 1ª parte


A presente festa é uma grande felicitação de Maria da parte dos fiéis, que nela vêem, ao mesmo tempo, a glória da Igreja e a prefiguração de sua própria glorificação. A festa tem uma dimensão de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira e a Mãe dos fiéis. Daí a facilidade com que se aplica a Maria o texto de Apocalipse 12 (1° leitura), originalmente uma descrição do povo de Deus, que deu luz o Salvador e depois refugiou-se no deserto (a Igreja perseguida do 1° século) até a Vitória final do Cristo. Na 2° leitura, a Assunção de Maria ao Céu é considerada como antecipação da ressurreição dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Observa-se portanto, que a glória de Maria não a separa de nós, mas a une mais intimamente a nós.

Merece consideração, sobretudo, o texto do evangelho, o Magnificat, que hoje ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia de Deus:

Ele recorre aos humildes para realizar suas grandes obras, e escolhe o lado de quem, aos olhos do mundo, é insignificante.

Podemos ler no Magnificat a expressão da consciência de pessoas "humildes" no sentido bíblico, isto é, rebaixadas, humilhadas, oprimidas (a "humildade" não como aplaudida virtude, mas como baixo estado social):

Maria, que nem tinha o status de casada, e toda uma comunidade de humildes, o "pequeno rebanho" tão característico do evangelho de Lucas (12,32).

Pe.João Azeredo