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26 de nov. de 2013

Jesus Cristo Rei do Universo - 3ª parte


- Ora, se Davi era um Rei diferente, Jesus muito mais, como podemos perceber no Evangelho. Seu governo tem alcance além da morte, além do mundo; e este domínio, que supera tudo, ele o abre para o pecador que se converte o “bom ladrão” crucificado ao seu lado. Jesus não é rei sobre um determinado pedacinho de nosso planeta, mas submete a si a morte e o pecado (cf. 1 Cor 15, 25-26). Tudo o que existe para a Glória de Deus – de modo especial, a Igreja – encontra em Jesus seu chefe, sua cabeça – diz a 2ª leitura. Ele é por seu sangue redentor, pelo dom de sua vida, que vence o ódio, o desamor, o pecado.

- Estamos aos poucos redescobrindo que o Reino de Deus, inaugurado por Jesus, deve ser implantado aqui na Terra, na justiça e no amor fraterno. Mas não devemos perder de vista a dimensão eterna do Reino. Ele supera as realidades históricas, “encarnadas”. Ele atinge a relação mais profunda e invisível entre Deus e o homem. Ele é universal, não apenas no tempo e no espaço, mas, sobretudo na profundidade, na radicalidade.

- O projeto de Deus, que Jesus veio definitivamente por em ação, não termina no horizonte do nosso olhar físico. Seu alcance não tem fim. È uma grandeza que vence todo mal, muito além daquilo que podemos verificar aqui e agora. È um reino que não apenas conquista o mundo, mas muda a sua qualidade. Por isso dedicamos-lhe todas as nossas forças e não ficamos de braços cruzados.

Este reino supera o pecado, como Jesus mostra, acolhendo o “bom ladrão”. Pois é o reino do amor. Porém, não legitima o pecado. Zaqueu, depois que se converteu, começou vida nova (Lc 19, 1-10). Se o bom ladrão tivesse continuado com vida, deveria ter mundo radicalmente seu modo de viver... assim, para participarmos, já agora, deste reino de amor, justiça e paz, devemos deixar acontecer em nós a transformação que Jesus iniciou e pela qual Ele deu a sua vida.


As três Leituras desta Celebração Litúrgica

Primeira: (2Samuel 5, 1-3) Davi consagrado Rei em Hebron.

Segunda: (Col 1, 12-20) Restauração do Universo no Reino do Amor de Cristo.

Evangelho: (Lucas 23, 35-43) O Reino do Crucificado.

25 de nov. de 2013

Jesus Cristo Rei do Universo - 2ª parte


A 1ª leitura tem função tipológica, indica o início da linhagem da qual Jesus é a plena realização, a linhagem dos reis dadívicos, “os ungidos” (cristos), executivos de Deus. Mas Jesus supera de longe o modelo dadívico, e seria um anacronismo conceber o reinado de Cristo em termos políticos, como um novo reino de Davi.

Convém refletir sobre o conceito do Reino de Cristo no sentido de reconciliação de Deus com o homem, neste tempo em que tão facilmente o reino de Cristo é confundido com uma grandeza mundana, tanto na ideologia integralista quanto na revolucionária e libertadora. O Reino de Cristo, na visão da liturgia de hoje, é o acontecer da vontade do Pai na reconciliação operada pelo sacrifício de sua vida, não de modo mecânico ou mágico, mas pela participação na fé. Em outros termos, a fé reconhece a morte de Cristo como um divino gesto de amor por nós e produz conversão e adesão a este mesmo amor, superando o ódio e a divisão. Assim, o reino n qual Cristo é investido por sua obediência até a morte, implanta-se também no mundo, mediante a fé dos que nele acreditam e seguem seu caminho.

Jesus Cristo, Rei do Universo

Para coroar o ano litúrgico, celebramos a solene encerramento, a festa de Cristo-Rei. Jesus é apresentado como Rei Nosso e do universo. Mas, o que significa chamar Jesus de “Rei”?
- Não temos em nosso meio, experiência próxima daquilo que é um Rei. Por isso convém prestar bem atenção à 1ª leitura, que narra a consagração de Davi como Rei de Israel. Davi não é apenas chefe do estado e tampouco um Rei considerado deus como os reis do Egito e da Babilônia. Ele é “filho de Deus”, chamado a exercer o reinado em obediência a Deus, o Único Senhor.

24 de nov. de 2013

Jesus Cristo Rei do Universo - 1ª parte

Reino da Cruz, Reino da Fé

Foi genial a idéia dos compositores da renovada ordem litúrgica, de escolher a morte de Cristo na Cruz como Evangelho para a festa de Cristo Rei. O ensejo imediato para esta escolha forma os insultos dos soldados e do “mau ladrão”, como também a prece que o “bom ladrão” dirige ao Crucificado. Todos eles aludem à realeza (messianismo) de Jesus, os primeiros num sentido de escárnio, o último, ao contrário, com um espírito de fé, que lhe consegue a resposta: “Hoje ainda estarás comigo no paraíso”.


• Para Lucas, o Reino de Cristo inicia realmente na hora da Cruz, e dele participa aquele que encarna o modelo do comum dos fiéis: o pecador convertido (cf. a pecadora, o publicano, o filho pródigo, Zaqueu, etc.). Isso significa entre outras coisas, que o Reino de Deus (cf. Paulo em Col 1, 20; 2ª leitura). A verdadeira paz messiânica, para Lucas, não é tanto o lobo e o cordeiro pastarem – juntos (Is 11, 6-9), mas o homem ser reconciliado com Deus e participar da vida divina, no “paraíso”, restauração da inocência original. Deste Reino,  homem participa pela fé, que se expressa na oração(outro tema – caro a Lucas): a prece do bom ladrão não é apenas um pedido, mas também confessa Jesus como Rei (“no Teu Reino”, 23, 42). Como, anteriormente, à guisa de prefiguração, outras personagens receberam cura por causa da sua fé (por ex., Lc 18,42), o bom ladrão – recebe o paraíso por causa da sua fé. Podemos, portanto, dizer que, para Lucas, o Reino de Cristo é essencialmente seu poder de reconciliar com Deus os que acreditam nele. Essa reconciliação tem como Centro a Cruz, ato supremo de amor e serviço de Jesus para seus irmãos. No homem de Nazaré, morto por amor, Deus encontra reconciliação com a humanidade, pelo menos, se, pela fé e a conversão ela se solidariza com o filho amado.
• A 2ª leitura elabora a mesma visão em termos diretamente teológicos. Deus nos assumiu no Reino de Seu Filho amado (Col 1, 13), no qual temos a salvação e a remissão dos pecados (1, 14). Segue então o famoso hino cristológico (Col 1,15 – 20), que canta Jesus como sendo aquele em que mora a plenitude de Deus: Deus lhe deu tudo, e mais, “quis morar nele com toda sua plenitude” (1,19). Paulo desenvolve sua Cristologia num sentido corporativo: Jesus é a cabeça, a Igreja é o Corpo. Ora, a cabeça não é separada do corpo. Juntas formam a “plenitude”. Sacrificando-se Cristo por nós, em obediência, na morte da Cruz, nós é que somos reconciliados. Assim – e notemos alusão à terminologia messiânica – Cristo instaurou a “paz” pelo sangue de sua Cruz (1, 20).