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25 de nov. de 2013

Jesus Cristo Rei do Universo - 2ª parte


A 1ª leitura tem função tipológica, indica o início da linhagem da qual Jesus é a plena realização, a linhagem dos reis dadívicos, “os ungidos” (cristos), executivos de Deus. Mas Jesus supera de longe o modelo dadívico, e seria um anacronismo conceber o reinado de Cristo em termos políticos, como um novo reino de Davi.

Convém refletir sobre o conceito do Reino de Cristo no sentido de reconciliação de Deus com o homem, neste tempo em que tão facilmente o reino de Cristo é confundido com uma grandeza mundana, tanto na ideologia integralista quanto na revolucionária e libertadora. O Reino de Cristo, na visão da liturgia de hoje, é o acontecer da vontade do Pai na reconciliação operada pelo sacrifício de sua vida, não de modo mecânico ou mágico, mas pela participação na fé. Em outros termos, a fé reconhece a morte de Cristo como um divino gesto de amor por nós e produz conversão e adesão a este mesmo amor, superando o ódio e a divisão. Assim, o reino n qual Cristo é investido por sua obediência até a morte, implanta-se também no mundo, mediante a fé dos que nele acreditam e seguem seu caminho.

Jesus Cristo, Rei do Universo

Para coroar o ano litúrgico, celebramos a solene encerramento, a festa de Cristo-Rei. Jesus é apresentado como Rei Nosso e do universo. Mas, o que significa chamar Jesus de “Rei”?
- Não temos em nosso meio, experiência próxima daquilo que é um Rei. Por isso convém prestar bem atenção à 1ª leitura, que narra a consagração de Davi como Rei de Israel. Davi não é apenas chefe do estado e tampouco um Rei considerado deus como os reis do Egito e da Babilônia. Ele é “filho de Deus”, chamado a exercer o reinado em obediência a Deus, o Único Senhor.

3 de nov. de 2013

Dia dos Finados (2ª parte)

   Tal existência, morta para o homem velho, é que o batismo configuração com Cristo, nos encaminha. Portanto, vivemos já a vida da ressurreição, num certo sentido. Quem diz isto em termos expressos é João (evangelho).
   A Marta, que representa o conceito veterotestamentário (ou seja, do antigo testamento) da vida eterna – a ressurreição depois da morte, no fim dos tempos – Jesus responde que, quem crê nele já durante sua vida tem a vida eterna (Jo 11, 25-26; cf. 5, 24). O fundamento de afirmação não convencional assim é que Jesus mesmo é o dom exato lógico por excelência. Quem vê Jesus, vê Deus (Jo 14, 9). Quem aceita Jesus na fé, não precisa esperar a vida do além para ver Deus (na linguagem do antigo testamento), “ver Deus” era a grande esperança...
   Com isso, estamos longe dos temas tradicionais referentes aos
finados. De fato, a celebração dos fiéis defuntos é a celebração de nossa esperança e da comunidade dos santos, “comunhão dos santos”, tanto quanto a festa de 1° de novembro. A liturgia nada diz das penas do purgatório e coisas semelhantes que tradicionalmente estão no centro da atenção neste dia. Ao deixarmo-nos ensinar pela nova liturgia, deslocaremos o acento desta comemoração. Vamos assimilar a espiritualidade desta liturgia para ter uma visão mais cristã da morte, o passo definitivo que conduz a vida verdadeira.

Santos e Finados

   A igreja considera o 1° de novembro – todos os santos – dia santo de guarda, mas os fiéis “guardam” o dia 2, finados – inclusive é feriado nacional. Por quê?
   O povo dá mais importância à oração pelos familiares falecidos do que a celebração dos santos gloriosos. Acha que os parentes falecidos lhe estão mais próximos e precisam mais de oração... Por isso, finados ganha de todos os santos. Também, o povo sofrido é mais sensível ao pensamento do sofrimento e da morte do que ao da glória. Glória nunca conheceu; sofrimento sim. (por isso celebra mais a sexta feira santa que a páscoa da ressurreição!).

Festa de todos os Santos (2ª parte)

    A mesma mensagem proclama a segunda leitura (1Jo 3): Nossa atual santidade por sermos filhos de Deus, embora ainda não seja manifestado “o que seremos” (= a nossa glorificação). Portanto, quem é celebrado hoje é, em primeiro lugar os “filhos de Deus” neste mundo.
   A isto se une a visão antecipada do autor do apocalipse sobre a plenitude dos que aderiram a Cristo, seguiram o Cordeiro (1ª leitura). É o número perfeito das tribos (12 X 12.000), os eleitos de Israel (o autor é judeu cristão) mas também um número inumerável de todas as nações (universalismo – mas ainda assim quem ensine que no céu só se tem 144.000 lugares...).

   Ora, tanto na mensagem das bem aventuranças quanto na visão do apocalipse ganham um destaque especial os mártires, os que são perseguidos por causa do evangelho, os que lavaram suas vestes no Sangue do Cordeiro e vêm da grande tribulação. Testemunhar de cristo com seu sangue é a marca mais segura da Santidade. Mas com ou sem sangue, todos deverão fazer de sua vida um pertencer a Cristo para que possam ser chamados “santos”, isto é, consagrados a Deus “pelo batismo”.
   As orações insistem muito na intercessão dos santos. É um aspecto deste dia, que atinge muito a sensibilidade popular. É preciso fazer aqui um delicado trabalho de interpretação. Confiar em alguém como intercessor supõe sentir-se solidário (familiar) com ele. Será que vivemos como familiares destes intercessores? Será que cabemos na sua companhia?

A Comunhão dos Santos

   - Atualmente pouco de houve falar na “comunhão dos santos”. Todos os que pertencem a Cristo e seu reino instituem uma comunidade viva e real, a “comunhão dos santos”.
   As bem aventuranças (evangelho) proclamam a chegada do Reino de Deus e, por isso, a boa ventura daqueles que “combinam com ele”. Assim, caracterizam a comunidade dos santos, os filhos do rênio e proclamando a sua felicidade e salvação. Jesus felicita os “pobres de Deus”, os que confiam cada vez mais em Deus do que na prepotência, os que produzem paz, os que vêm o mundo coma a clareza de um coração puro etc. Sobretudo os que sofrem por causa do reino, pois a sua recompensa é a comunhão no “céu”, isto é, em Deus. Dedicando sua vida à causa de Deus, eles “são dele”.É o que diz São João (2ª leitura): Já somos filho de Deus e nem imaginamos o que seremos! Mas uma coisa sabemos: seremos semelhantes a Ele, realizaremos a vocação de nossa criação (Gen1, 26). O amor de Deus tomará totalmente conta do nosso ser, ao ponto de nos tornar igual a Ele.
   A santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão (1ª leitura): Todos aqueles que, de alguma maneira, até sem o saber, aderiram e aderirão a causa de cristo e do reino: a comunhão ou comunidade dos santos. 

   - Ser santo significa ser de Deus. Não é preciso ser anjo para isso. Santidade não é angelismo. Significa um cristianismo libertado e esperançoso, acolhedor para com todos os que procuram Deus com um coração sincero (oração eucarística IV). Mas significa também um cristianismo exigente. Devemos viver mais expressamente a santidade de nossas comunidades (a nossa pertença a Deus e a Jesus), por uma prática de caridade digna dos Santos e por uma vida espiritual sólida e permanente.
Sobretudo: santidade não é beatice, não é medo de viver. É uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus e assemelhar-se sempre mais a Cristo. Não exige disponibilidade para se deixar atrair por Cristo e entrar na solidariedade dos fiéis de todos os tempos santificados e unidos por ele.

As três leituras deste texto:

Primeira leitura: (Apoc. 7, 2-4. 9-14) “Uma grande multidão que ninguém podia contar”.

Segunda leitura: (1Jo 3, 1-3) “Já somos filhos de Deus e Ainda não é manifesto o que seremos”.

Evangelho: (Mt 5, 1-12a) “As bem aventuranças”.

13 de out. de 2013

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil

(2ª parte)

A idéia de intercessão, na presente liturgia, concerne sobretudo a Pátria brasileira, portanto, uma realidade histórico-material. Pode-se pedir povo a Maria que ela cuide para que a ninguém, falte as condições para viver dignamente. Mas que neste pedido, então, se traduza também a disponibilidade para colaborar e participar no grande testemunho de amor que Cristo iniciou a assinalou por seu primeiro “sinal” em Caná. Ou seja, que os pedidos exprimam a vontade de colaborar no reino de paz e amor, o meio mais seguro para fazer acontecer a realização do que pedimos.Se pedimos bênçãos pela Pátria, devemos estar dispostos a nos tornar instrumentos daquilo que pedimos (integração de todos numa sociedade justa e fraterna etc.)
A 2ª leitura é a mesma da festa da Assunção. Pode-se destacar o papel de protestar que a Mulher simultaneamente igreja e Maria – exerce com relação ao filho messiânico. Que a Igreja se lembre, portanto, que a intuição da fé, aplicando esta leitura a Maria, viu a semelhança no papel de ambas. Gerar e levar o Salvador ao mundo, e presenciar sua vitória, eis o que Maria e a Igreja têm em comum. Destacando a figura de Maria, a Igreja assume, até certo grau, o que foi a obra de Maria. Isso vale também com relação à proteção da Pátria, que não é algo mágico, mas algo que se realiza mediante as nossas mãos, nosso empenho por uma Pátria melhor, mas justa, mas conforme a Vontade de Deus.
A aclamação ao Evangelho e o canto da comunhão aludem também à função “patrocinadora” de Maria.

MARIA, MULHER-POVO, MÃE DA IGREJA

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. O povo a chama simplesmente de Nossa Senhora Aparecida. Aliás, para a “Imaculada Conceição” temos outra festa, em 8 de dezembro. Mas vale a pena, apoiadas na Liturgia, estabelecer um nexo entre a eleição de Maria desde a sua concepção e seu papel de intercessora, em virtude do qual ela aparece como padroeira do nosso povo.