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17 de mar. de 2013

5º Domingo da Quaresma (C) - 4ª parte


Deus perdoa, para dar ao pecador uma “plataforma” a partir da qual Ele possa iniciar uma vida nova. O perdão é do tamanho da grandeza de Deus, e só Ele chega para perdoar definitivamente. Por isso, para fazer jus ao perdão, não devemos desejá-lo levianamente. Devemos querer eficazmente mudar a nossa vida, ainda que saibamos que “Roma não foi construída num só dia”.

Devemos desejar não mais pecar, e para que este desejo seja eficaz, temos que escolher e utilizar os meios adequados. 

Quem peca por má índole, procure amigos que o tornem melhor.

Quem peca por fraqueza ou vício, evite as ocasiões de tentação. 

E quem peca por depender de uma estrutura ou laço que conduz à injustiça, procure transformar essa situação no nível pessoal e no da coletividade. 

Tratando-se de estruturas sociais injustas, o meio adequado de combater o pecado consiste em unir forças para lutar pela transformação política e social. Devemos transformar as estruturas de pecado fora e dentro de nós. Mas faremos tudo isso com mais empenho se estivermos convencidos de que Deus nos perdoa e joga longe de si o nosso pecado. Quando se trata de problemas pessoais (embora sempre com alguma dimensão social), a certeza de que Deus é maior que o pecado é um estímulo forte para acreditar numa renovação de vida – com a ajuda dos meios psicológicos adequados, pois a graça não suprime a natureza.

Pe.João Azeredo

5º Domingo da Quaresma (C) - 3ª parte


DEUS JOGA LONGE O PECADO


Domingo passado presenciamos a volta do filho pródigo, e a acolhida pelo seu pai misericordioso. Hoje, aparece com mais força o quanto Deus está acima do pecado. Eis a base que se chama “conversão”.

Mas quando se fala em conversão, os céticos objetam: “Adianta querer ser melhor do que sou?” E os acomodados: “Melhorar a sociedade para que?”

Deus porém, não é limitado, e não fica imobilizado por nosso pecado. Ele passa por cima, escreve-o na areia, como fez Jesus, no episódio da mulher adúltera (evangelho). A magnanimidade de Deus, que se manifesta em Jesus, está em forte contraste com a mesquinhez dos justiceiros que queriam apedrejar a mulher. Eles estavam presos no próprio pecado, e por isso, nenhum deles ousou jogar a primeira pedra. O importante é combater o pecado. Entretanto, é preciso estar com Deus para salvar o pecador.

Deus é um libertador. Ele quer apagar nosso passado e renovar nossa vida, assim como renovou o povo de Israel no fim do exílio babilônico (1° leitura). Paulo diz que devemos deixar nosso passado para trás, esticando-nos para apanhar o que está na nossa frente.

Cristo, que é a nossa vida (2° leitura), e como dissemos domingo passado, o pecado fica para trás, enquanto o futuro que está a nossa frente é o amor de Deus em Jesus Cristo.

“Não peques mais !”.
Perdoar não é ser conivente com o pecado,
mas é salvar o pecador

Pe.João Azeredo

5º Domingo da Quaresma (C) - 2ª parte











Será, que nós crucificamos nossa autossuficiência, e nossas vontades de “nos recuperar”, em vez de nos perder nos braços do crucificado?

Quem já perdeu tudo tem maior facilidade para isso. O evangelho de hoje (um fragmento solto inserido no evangelho de João) nos apresenta uma pessoa que não tinha mais nada a perder, senão a vida, que já estava quase perdida.

Os “justos” já estavam com as pedras na mão para apedreja-la. Ela tinha sido apanhada em adultério! Ainda entre nós, e também na antiguidade judaica, o homem podia ter suas aventuras, e a mulher não.  Os “justos” pedem a opinião de Jesus, pois Ele tinha fama de liberal, e queriam apanhá-lo em contradição com a Lei. Jesus escreve algo na areia; A acusação e a sentença não sabemos. E responde: “Quem não tem culpa, lance a primeira pedra”. E volta a escrever na areia. Os "justos" vão embora, a começar pelos mais velhos. Espontaneamente, pensamos naquele anciãos em Daniel (13), que depois de ter acusado Suzana, tiveram de mostrar quanta hipocrisia e podridão, a velhice tinha acumulado neles.


“Mulher, ninguém te condenou?
Eu também não te condeno. Vai e não peques mais”.

O passado foi apagado, como as palavras na areia. Ela é nova criatura, e de pecadora tornou-se a que não peca mais. Se tivesse sido apedrejada, seria para sempre a pecadora apedrejada. Mas para isso, era preciso que seu pecado fosse apagado; E isso, só Deus o podia fazer.

Procuremos reconhecer em nós estas experiências em Israel de Paulo, da adúltera, de experiências em sermos estabelecidos em condições novas, como por exemplo em uma autêntica confissão (com restituição de injustiça cometida e todas as demais exigências). Notaremos que não fomos nós que nos libertamos, mas a graça de Deus, pelo sinal eficaz de Cristo. Mas essa renovação pode chegar também por outros caminhos. Por um convite de participar numa comunidade que nos coloque num novo ambiente, numa nova solidariedade. Há muitas maneiras para Deus realizar sua nova criação. Demos-lhe uma chance.
Pe.João Azeredo

5º Domingo da Quaresma (C) - 1ª parte


DEUS
LANÇA LONGE
PECADO DO PASSADO


Nas três leituras de hoje, encontramos o tema libertação do passado.


“Não mais penseis nas coisas anteriores, não mais olheis o passado. Eis que faço algo novo;
Já está brotando. Não o enxergais?
(Isaias 43,18; 1° leitura)

Na visão do profeta acontecem um novo paraíso e um novo êxodo ao mesmo tempo. Um caminho no deserto e os animais cantando o louvor de Deus: Israel volta do exílio (Isaías 43,19-20). O povo proclama o que Deus fez (Isaías 43,20):

“Quando o Senhor reconduziu
os exilados de Sião, parecia um sonho”
Salmo 126(125) - Salmo responsorial

“Eu esqueço o que fica atrás de mim e
me estico para acatar o que tenho diante de mim”
(Filipenses 3,13; 2° leitura)

Paulo está na prisão, sempre mais próximo da morte, e de seu porto desejado. Pois, diante dele está Cristo que o salvou. Atrás dele fica a vida de fariseu, que ele considera como esterco (Filipenses 3,8), porque o afastou da verdadeira justificação em Cristo Jesus. De fato, enquanto ele era fariseu, pretendia justificar-se a si mesmo pelas obras da lei. Só depois que Cristo o “alcançou”, descobriu que a justiça vem de Deus, e em Cristo, concede a graça ao que crê.

Para Paulo, conversão é bem outra coisa que voltar a viver decentemente (bom propósito da Quaresma). É quase o contrário (pois, como fariseu, ele vivia “decentemente”). É deixar Deus estabelecer em sua vida uma nova escala de valores, tendo por centro um crucificado.

Será, que para nós, o centro de nossa vida é o crucificado ou apenas um crucifixo de ouro marfim?

Cristo pregou na cruz toda a autossuficiência humana, para que acontecesse sem empecilhos a obra da graça de Deus.

Pe.João Azeredo

10 de mar. de 2013

4º Domingo da Quaresma (C) - 4ª parte



Se Jesus contou a parábola que hoje é apresentada, é porque sua missão serve para instaurar essa relação nova entre Deus e os homens. A fé, é a união com Cristo que implica essa nova entre Deus e os homens. A união com Cristo implica essa nova relação com Deus. É o encontro do arrependimento do pecador com a misericórdia, ao qual dizemos:

“Volta-se para nós, para que voltemos a ti!”

Pois o pai misericordioso já estava voltado para ele antes que ele voltasse...Basta aderir radicalmente a Cristo, na comunhão de sua Igreja, para encontrar o caminho da reconciliação, a alegria da volta a Terra Prometida.

A Igreja recebeu de Cristo um sinal para marcar com sua garantia essa reconciliação: o sacramento da penitência ou da volta. Quem sinceramente se confessa, pode estar seguro de sua reconciliação. Este sacramento encontra muita resistência porque ninguém gosta de se sentir julgado. Mas o evangelho de hoje mostra exatamente que o Senhor não quer julgar o pecador, quer simplesmente aperta-lo nos braços. A confissão deve ser apresentada não como julgamento, mas como acolhida. O que importa não é o passado, ou a lista de pecados a apresentar, e sim o futuro:

o abraço acolhedor do pai.

Pe.João Azeredo

4º Domingo da Quaresma (C) - 3ª parte


RECONCILIAÇÃO EM CRISTO, ALEGRIA DA VOLTA


Antigamente, a proximidade da Páscoa causava em alguns certo nervosismo, em outras causava piedosa alegria: era o momento de fazer a confissão pascal...

A liturgia de hoje nos fala da alegria de voltar e da reconciliação. No quadro apresentado pela 1° leitura, os hebreus chegam ao fim de sua peregrinação pelo deserto. Estão entrando na Terra Prometida e podem esquecer a vergonha de sua escravidão. Celebram a Páscoa, comendo o pão sem fermento, dos primeiros frutos da terra,  recebido de Deus. O evangelho descreve o filho pródigo que volta para seu pai, o qual o acolhe com uma alegria do tamanho do seu amor, pois seu filho “estava morto e voltou a vida, estava perdido e foi encontrado”. Assim, a liturgia de hoje é uma grande exortação para que o pecador volte à alegria que Deus lhe destina. Basta que se entregue a Cristo, admitindo em coração, que a morte de Jesus nos reconciliou, e que a vida nos indica o rumo a seguir.

Por que não dar ouvido a essa exortação?

Aquele que vive estraçalhado por desejos egoístas, contraditórios e insaturáveis, por que não volta a benfazeja doação da vida, a exemplo de Jesus?

O que sente remorsos por estar injustiçando seus semelhantes, por que não repara sua injustiça para encontrar a paz?

Quem se deixou seduzir pelas drogas, consciente de estar num beco sem saída, por que não imita o exemplo do filho pródigo?

Aquele que sabe que sua riqueza causa a pobreza de muitos, por que não se esforça, em espírito de comunidade, a criar estrutura de participação?

Pe.João Azeredo

4º Domingo da Quaresma (C) - 2ª parte

Para muita gente, o que Jesus conta no evangelho parece fácil demais. O filho pródigo, “esse sem vergonha”, gasta tudo e depois volta e Deus perdoa tudo, e logo está tudo bem de novo. É fácil demais ! Além disso, é injusto para quem acha que fez tudo direitinho e não ganhou nada por isso.

Ora, quem fala assim não entende nada de Deus. O Senhor não é um fiscal. É um criador. Ele criou sem dever nada a ninguém, e também não fica devendo ao pecado o que nós fazemos quando decide recriar-nos. 

Basta que o deixemos fazer.

Esse “deixar Deus fazer”, é exatamente a conversão. E é o que o filho mais velho não faz.

Não dá a Deus a alegria de
faze-lo uma nova criação!

Se conversão de um pecador é difícil. Mais difícil, é a conversão de quem se considera justo.

Será então melhor ser pecador?

Até diria que sim, porque num certo sentido é menos perigoso ser autêntico na desobediência e no egoísmo, do que por medo. Ou ainda, por implícito cálculo de compensação, esconder o que se tem por dentro, ficando endurecido pelo fato de agir sem convicção ou sem ânimo...

Ora, como muitos fiéis que vem as nossas igrejas estão na posição do filho mais velho, a tarefa da catequese litúrgica para este domingo é bastante difícil:

Como tirar o calo da autossuficiência
dos corações dos bons cristãos?

Porém, se isto não acontecer, não poderão participar da alegria do Laetare... 

“ Ilumina Senhor, nossos corações
com o esplendor de tua graça”
(oração final)

Pe.João Azeredo

4º Domingo da Quaresma (C) - 1ª parte


A ALEGRIA DA RECONCILIAÇÃO E RENOVAÇÃO

Hoje é Laetare, dia das rosas em Roma, e dia da alegria no meio da penitência. 


E como combinar alegria e penitência?

A penitência tem por fim a alegria, porque é inspirada pelo desejo de Deus. Penitência no Antigo testamento, chama-se “volta”.

E o que isso significa?

Descreve-nos o mestre narrador Lucas na parábola do filho pródigo (evangelho): O filho pródigo foi longe, geograficamente e moralmente, mas sentindo falta do amor autêntico de seu pai e indigno a seus próprios olhos de ser chamado filho pelo bondoso pai, voltou para casa.

Essa volta, em primeiro lugar, foi uma alegria para o pai! E este é o mistério do domingo Laetare. Enquanto nós estamos ainda impressionados com nossas desistências, egoísmos e rejeições passadas, Deus já enxerga a vida nova que brota em nós, e alegra-se.

O que estava morto, voltou a viver
O que estava perdido, foi encontrado
(Lucas 15,32; cf 19,10)

A 2° leitura nos ajuda a penetrar no sentido destas palavras finais do pai do filho pródigo:

a reconciliação (em  Cristo) é uma nova criação.

O velho passou, tudo é novo. A vergonha do nosso passado é apagada. Deus mesmo tornou “sacrifício pelo pecado”, o seu Filho que não conheceu o pecado, para que nós fôssemos como Ele. Nestas palavras, percebemos um eco da 1° leitura: Assim como Israel celebrou a terra prometida com o pão novo no fim do êxodo da escravidão, sem o velho fermento nós também devemos celebrar tudo novo (cf. 1Cor 5,7-8).

Pe.João Azeredo

3 de mar. de 2013

3° Domingo da Quaresma (C) - 4ª parte



Na Igreja, escutamos um clamor pela “libertação” dos oprimidos dos discriminados, dos excluídos, dos iludidos... Esse clamor é um eco da missão que Deus confiou a Moisés. Mas ao mesmo tempo, vemos que muitos cristãos ficam insensíveis ao apelo da conversão, não voltam seu coração para Deus. E mesmo os que lutam pela libertação se deixam envolver pelo ativismo e pelo materialismo, a ponto de acabarem lutando apenas por mais bem-estar, esquecendo que o mais importante é o coração reto e fraterno. Essa é a raiz profunda, e a garantia indispensável da justiça.

Aliás, a Campanha da Fraternidade nos faz perceber a profunda interação de fatores pessoais e sócio-estruturais. Por isso é tão importante que nosso coração se deixe tocar no nível mais profundo, para ser sensível ao nível mais profundo do apelo de nossos irmãos.

Deus se revela a Moisés num fogo que não se consome (imagem de sua santidade) e que nos atrai, mas também exige de nós pureza de coração e eliminação do orgulho, ambição, inveja, exploração, intenções ambíguas, traições e todas estas coisas que mancham o que somos e o que fazemos. Sem corações convertidos, o Reino, o “regime de Deus” não pode vingar. Se o Senhor libertador nos convoca para a luta da libertação, Ele não nos dispensa de sempre voltarmos a purificar o nosso coração de tudo o que não condiz com a santidade e o seu amor infinito.

Pe.João Azeredo

3° Domingo da Quaresma (C) - 3ª parte


O DEUS LIBERTADOR E NOSSA CONVERSÃO


Na Quaresma, subida para a Páscoa, e caminho de renovação de nossa fé, são apresentados os grandes paradigmas da fé no tempo do Antigo Testamento. No 1° domingo foi o “credo do israelita”. No 2° domingo, a promessa de Deus que Abraão recebe na fé. No 3° domingo, a 1° leitura oferece mais um paradigma da fé:

O encontro de Moisés com Deus,
manifestando-se na sarça ardente.

Este paradigma pode ser contemplado com a grande manifestação do Deus que liberta os hebreus do Egito (terra da escravidão). O Senhor na sarça ardente, aparece a Moisés para lhe dizer que ele escutou o clamor do povo. Ele manda Moisés empreender a luta da libertação do povo e revela-lhe o seu nome:

Javé, “eu sou, eu estou aí”.

Deus está com seu povo na luta. Paulo, na 2° leitura, nos lembra que isso não impediu que Javé retirasse sua proteção quando o povo pecou pela cobiça e o descontentamento. Jesus ensina no evangelho aos judeus, que eles não devem pensar que os pecadores são os que morreram vítimas de repressão policial ou catástrofe natural. Os mesmos que se consideram justos é que devem se converter, e Deus há de exigir deles os frutos da justiça.

Pe.João Azeredo

3° Domingo da Quaresma (C) - 2ª parte



Lucas 13,1-5 é, se possível, mais explícito ainda. Dentro da concepção mágica de que as catástrofes são castigos de Deus, os judeus perguntaram a Jesus que mal fizeram os galileus, cujo  o sangue Pilatos misturou com o de suas vítimas quando foram apresentar sua oferta no templo de Jerusalém? E as dezoito pessoas que morreram porque caiu sobre elas a torre de Siloé?


Jesus responde:

“A questão não é saber que mal fizeram eles; a questão é que vocês mesmos não se devem considerar isentas de castigo, por serem bons judeus; Digo-lhes, se vocês não se converterem, conhecerão a mesma sorte!”.


As catástrofes não são castigos, mas lembretes! E não adianta pertencer ao grupo dos “eleitos”, aos judeus no deserto, aos fariseus do tempo de Jesus, ou aos “bons cristãos” de hoje. O negócio é converter-se! Pois cada um descobre algo a endireitar, quando se coloca diante da face de Deus. Ou melhor, em tudo o que fazemos e somos, mesmo em nossas ações e atitudes mais dignas de louvor, descobrimos os traços de nosso egoísmo e falta de amor. Quando nos expomos à luz da “sarça ardente”, só Deus é santo. Por isso, convertermo-nos sempre.

Se até agora a liturgia nos inspirou o temor do Senhor, o último trecho do evangelho nos traz a mensagem tão característica de Lucas, sobre a misericórdia de Deus (cf. Salmo responsorial). Essa mensagem mostra em forma de paciência (nos próximos domingos, em forma de perdão).

A árvore infrutífera pode ficar mais um ano, pois talvez ela se converta ainda! Mas, algum ano será o último...


Pe.João Azeredo

3° Domingo da Quaresma (C) - 1ª parte

DEUS É FOGO, MAS TEM PACIÊNCIA


Depois dos episódios da tentação e da transfiguração nos dois primeiros domingos da Quaresma, a liturgia nos propõe o tema da conversão. Nos anos A e B, os enfoques de domingo foram, respectivamente, a catequese batismal e o cristocentrismo. No ano C, o evangelho realça especificamente a graça. Lucas é o evangelho da graça aos pobres e pecadores. Para perceber a graça que nos renova devemos estar conscientes de sermos pecadores (cf. próximos domingos). Porém, ao mesmo tempo que nos conscientizamos de nosso pecado, devemos ter diante dos olhos a perspectiva da graça e do perdão de Deus.


A 1° leitura nos coloca em espírito de “temor ao Senhor”. Assistimos à grandiosa revelação de Deus a Moisés, na sarça ardente.


Deus está em fogo inacessível

Deus devora quem se aproxima. “Tira suas sandálias: o chão em que estás é santo!” (Êxodo 3,5). Deus está em ardor, porque viu a miséria de seu povo e ouviu seu clamor. Moisés será seu enviado para revelar a Israel sua libertação e ao Faraó sua cólera. E em nome de quem deverá falar?


" Eu estou aí (Pode contar comigo!) "


Deus está aí com seu poder e sua fidelidade, mas também com sua justiça. Na 2° leitura, Paulo nos ensina a “lição da história” de Israel. Eles tinham a promessa, os privilégios, a proteção do Senhor. Todos os israelitas experimentaram no deserto, a mão de Deus que os conduzia. Todos foram saciados com o alimento celestial e aliviaram-se na água do rochedo (que significa o Messias). Contudo, a maioria deles, por causa de sua dureza de coração, foram rejeitados por Deus (cf. Números 17,14). Com vistas ao fim dos tempos e ao Juízo, Paulo avisa seus leitores para  aprenderem a lição (1 Cor 10,1-6).

Pe.João Azeredo

24 de fev. de 2013

2° Domingo da Quaresma (C) - 3ª parte


MUDANÇA RADICAL QUE TRANSPARECE EM CRISTO

Estamos na segunda etapa de nossa subida à festa pascal. A 1° leitura nos apresenta a fé com a qual Abraão recebe a promessa, e é considerado justo por Deus. Mas o tema que retém nossa atenção está no evangelho de hoje :

a visão da fé que descobre o
brilho divino no rosto de Jesus.


O evangelho de Lucas nos conta como Jesus - levando consigo Pedro, Tiago e João - foi orar no monte, e de repente ficou transfigurado diante de seus olhos. Apareceu-lhes envolto de glória, acompanhado por Moisés (a lei) e Elias (os profetas), que falavam com Ele sobre o seu “êxodo” em Jerusalém, onde iria enfrentar a condenação e a morte. No momento em que despontava o conflito mortal, Deus mostrou aos discípulos a face invisível de Jesus, seu aspecto glorioso.


Na 2° leitura, Paulo anuncia que Cristo nos há de transfigurar conforme a sua existência gloriosa. E todos nós somos chamados a sermos filhos de Deus. Nosso destino verdadeiro é a glória que Ele nos quer dar. Ora, para chegar lá, devemos – com Jesus – iniciar nosso “êxodo”, nossa caminhada da fé e de amor fraterno, comprometendo-se com a prática da transformação. Isso nos pode levar a galgar o calvário. O caminho é árduo, e as nossas forças parecem insuficientes. Às vezes parece que não existe perspectiva de mudança. Uma sociedade mais justa e mais fraterna parece sempre distante. Mas assim como os discípulos de Jesus, puderam entrever a glória no fim da caminhada, pela sua transfiguração no monte, assim nós sabemos que a caminhada da cruz é a caminhada da glória.


Antes de ser desfigurado no gólgota, o verdadeiro rosto de Cristo foi transfigurado. Ele revelou no monte Tabor o seu brilho divino.  Para a fé, os rostos dos nossos irmãos latino-americanos, explorados e pisoteados, brilham como rostos filhos de Deus. Apesar da desfiguração produzida pela miséria, desigualdade, exclusão, há brilho divino.


Se nós precisamos realizar uma mudança política, econômica e cultural, a mudança radical é a que Deus opera quando torna filho seu aquele que nem figura humana tem. A consciência disto, é que nos vai tornar irmãos mais empenhados em criar uma sociedade digna da glória de Deus, habitando em nós e em nossos irmãos excluídos. Na Campanha da Fraternidade descobriremos isso. Contemplando a glória de Cristo no rosto do irmão, procuraremos caminhos para pôr fim à deformação que nossa sociedade imprimiu a esse rosto. Não apenas pela opressão, como também por uma cultura da ilusão e da irresponsabilidade. Por isso, enfrentamos esta caminhada de modo bem concreto, assumindo o sofrimento dos nossos irmãos pisados e oprimidos, participando das lutas materiais, políticas, culturais, e comprovando assim e seriedade de nosso amor fraterno.

Pe.João Azeredo