17 de fev. de 2013

1º Domingo da Quaresma (C) - 3ª parte


TREINAMENTO DA FÉ

Devidamente desacelerados do carnaval, celebramos o 1° domingo da Quaresma. Aos mais velhos “Quaresma” lembra jejum e penitência. Mas Isaías diz que Deus não se alegra com uma cara abatida. Talvez devamos encarar a Quaresma sob outro ângulo:  

como treinamento da fé. 

Em que acreditamos, afinal? Por qual convicção colocamos a mão no fogo, resistimos a provações, empenhamos a nossa vida?

Na sua origem, a Quaresma era o tempo de preparação dos catecúmenos para receber o batismo na noite pascal. Neste sentido, a 1° leitura nos lembra o “credo” que o antigo israelita pronunciava na hora de oferecer os primeiros frutos de sua terra:

o povo foi salvo por Deus.

A 2° leitura lembra o credo do cristão (que o batizando com toda a comunidade pronunciava na noite pascal):

nossa salvação pela fé em Jesus Cristo.

O evangelho mostra este credo em ação. Jesus foi posto a prova e deu o exemplo de adoração exclusiva a Deus. O diabo lhe sugeriu que transformasse pedras em pão, dominasse o mundo, deslumbrasse o povo... Mas Jesus preferiu fazer de sua vida um grande ato de adoração. E o diabo o deixou até a hora da grande provação – a hora da paixão e morte.

A Quaresma é uma subida à Páscoa. Os israelitas subiam a Jerusalém para oferecer suas ofertas, e Jesus subiu para oferecer sua vida. Nossa subida à Páscoa está sob o signo da provação e comprovação de fé. Encaminhamo-nos para a grande renovação de nossa opção de fé. Se nos primeiros tempos de Igreja, a Quaresma era preparação para o batismo e profissão de fé, para nós é caminhada de aprofundamento e renovação de nossa fé.

Uma fé que não passa por nenhuma prova, e não vence nenhuma tentação, se torna acomodada e morta.
Pe.João Azeredo