24 de fev. de 2013

2° Domingo da Quaresma (C) - 2ª parte

 
O que transparece na glorificação de Cristo não é apenas a sua própria Vitória em Jerusalém, mas o nosso destino final. Os apóstolos não entenderam isso e queriam construir no monte Tabor três tendas para permanecer com Jesus na sua glória. Ainda não sabiam que o caminho da ressurreição passava pela paixão (cf. Lucas 24,46). E também não sabiam que eles mesmos deveriam seguir este caminho até o fim, a fim de chegarem a vitória e a consumação na glória.


“Nossa pátria está no céu”, responde Paulo àqueles que se fixam em questões materiais, cujo deus é sua barriga (2° leitura)! Daí esperamos a nova vinda de Cristo, para com Ele sermos transfigurados na glória de seu corpo transformado. A linguagem de Paulo deixa transparecer uma polêmica com um conceito transviado da corporeidade. Não o corpo de nossa barriga ou vergonha, mas o corpo glorioso de Cristo, que com poder transforma o nosso: eis nosso destino e nossa honra.


Neste conjunto enquadra-se maravilhosamente o salmo responsorial: procurei a face do Senhor (cf. canto de entrada). Porém, só o olho puro pode contemplar Deus (cf. Mt 5,8 6,22-23). Que Deus purifique “nosso espiritual”, para que possamos contemplar sua glória (oração do dia). Este é o nosso grande pedido no momento em que somos convidados no meio do caminho, a contemplar a destinação gloriosa e retomar com renovado ânimo a caminhada.


Teilhard de Chardin, sacerdote e paleontólogo, pretendia dirigir nosso olhar para a plenificação do Universo em Cristo (cf. Col 1 ,15-20). Os teólogos da práxis política nos despertam para as utopias socioeconômicas, a nos dar uma perspectiva de esperança e razão de fé. Tudo isso pode ser útil, assim como Deus quis dar um sinal a Abraão, e por Jesus, uma intuição da glória a seus discípulos. Porém, não façamos disso nossas “três tendas”, pois são apenas visões a nos animar no caminho da fé que é esperança.

Pe.João Azeredo